23 setembro 2018
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Demografia e fusões

Demografia e fusões

O número de nascimentos na RAM, depois de uma queda abrupta no período da crise económica, voltou a números "normais" (ainda abaixo dos 2 mil/ano) agora num processo de redução menos acentuado.

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Como vimos no post anterior, as fusões são medidas administrativas que potenciam avaliações e decisões posteriores, a fazer e a tomar junto aos interessados locais.

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A redução dos nascimentos nos últimos 12 anos, de cerca de 3 mil para menos de 2 mil, aponta infelizmente para a necessidade de continuar a ajustar a Rede escolar para fazer face a uma procura sempre diferente. 

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Em alguns anos a situação deverá chegar ao Secundário. O número de nascimentos aponta já para um número de alunos que caberia hoje na Francisco Franco e Jaime Moniz. Não será de estranhar que em 12 a 15 anos estejamos reduzidos, por força da natalidade a 4 escolas na Madeira, talvez duas no Funchal e uma em cada área geográfica (R. Brava e Machico provavelmente) de onde partirão os docentes que poderão manter a oferta mínima nos outros edifícios - sem esquecer, obviamente, o Porto Santo que por isso até tem quadro de zona próprio. Evidentemente que esse, terá de ser sempre um processo gradual, bem avaliado e discutido, concretizado em reacção à procura, com o foco no aluno.

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11 - 44 - 29  são os nascimentos no Porto Moniz, Santana e S. Vicente em 2017. Como adaptar a rede escolar para responder a números como estes? Não podemos ignorar. Temos que assumir estas realidades e trabalhar para que, gradual mas eficazmente, esses alunos tenham as respostas devidas.

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Para que estes (e outros) concelhos (como C.Lobos, P.Sol, Calheta), dentro de 15 anos, possam manter a sua oferta de Secundário (poucas turmas e as necessárias variantes de cursos e disciplinas) nos edifícios lá existentes (que mais uma vez não encerrarão) terão que forçadamente estar integradas em agrupamentos (de edifícios, que é o que resulta das fusões) que possuam e possam gerir os professores necessários para cobrir as necessidades e poucas horas dispersas que tais cursos do Secundário exigem (de 2 horas de Alemão aqui, 3 de Latim acolá, 3 de História no outro lado). É difícil de aceitar que dentro de 15 anos tais escolas tenham que estar agrupadas com a R.Brava para que se assegurem as poucas horas que cada uma necessitará para a oferta de cada disciplina do Secundário? E que, nessa altura, o Secundário se ofereça (como hoje e em toda a RAM), com professores geridos a partir de 5 Escolas? Ou 6 ou 7?

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Não há - evidentemente - qualquer estratégia de fusões. As estratégias definem-se pelos fins a atingir. As fusões não são um fim em si. Nem sequer são meios. Serão, no máximo, inícios de um processo que se pretende planeado com o fim único de adaptar a rede escolar, o melhor possível, às necessidades dos alunos (e de todos aqueles que, como os professores, trabalham directamente com eles).

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Para que haja coerência, quem discorda do agrupamento de duas escolas (Curral das Freiras, Fajã da Ovelha ou outra que se seguirá a seu tempo, para potenciar e salvar - nesses edifícios - a oferta atual) terá que arrasar a política de gestão da rede escolar do Continente onde tais agrupamentos não são de duas mas de dezenas de escolas dispersas quilómetros sem conta..

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Algumas Direcções das novas escolas, resultantes das fusões anteriores (felizmente poucas), por variadas razões, podem ter tido mais dificuldades e sentido alguma fragilidade no que respeita às decisões seguintes (que devem ser tomadas, gradualmente, após o processo de audição e avaliação local). Por vezes, não encontram força suficiente, nem forma fácil contra alguns populismos que se acrescentam sempre a estes processos. Mas, felizmente,  a maioria seguiu em frente, focada no interesse dos alunos. E isso tem sido um processo interessante e verificável, em toda a RAM, sem excepção. Irrelevando os poucos casos em que, por qualquer razão, a evolução não aconteceu, estando ainda pendente. 


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